Me convidaram a falar de amor sob o pretexto de que esse é o mês dos namorados. E me cobraram também novas das velhas cartas. Sugerira-me de que o universo conspira... e, já que é assim eu completo – continuem desejando daí que eu desejo daqui.
Já estou meio calejado pra falar de amor. Mas estou pronto pra uma foda final.
Ultimamente tenho pensado que essa sagrada putaria da alma – o amor – já não vale mais nenhum centavo, mas ainda existe algo pra se admirar: a crueza. A pornografia de qualquer bela chanchada sob o olho de Afrodite.
O poder lírico da carne – tudo desossado – como deve ser. Viva!
Viva Monique Evans, Sidnei Magal e Bruna Surfistinha... viva Roberto Piva, Glauco Mattoso, viva! Ney Matogrosso, Alexandre Frota a Mulher Melancia... viva Dionísio viva! Èdipo e Electra, viva Sade! Nelson Rodrigues, viva meus amigos, todos eles, viva!
sexta-feira, 27 de junho de 2008
sexta-feira, 13 de junho de 2008
[subterfúgio da morte]
Um amigo dela suicidou-se, o melhor amigo dele disse que ele o fez pois praticou o haraquiri, seu código de honra havia sido ferido, na cultura japonesa no código dos Samurais, quando um guerreiro não atingiu seu feito ou por algum motivo sua honra foi exposta eles praticam o suicídio, dando o nome de harakiri ou seppuku.
Ele estaria arrasado por ter se apaixonado por outra pessoa e não suportou ter que dizer àquela que tanto o amava que ele havia traído sua confiança, sua paixão foi tanta que preferiu se jogar do quarto andar. Ele nem pensou direito como faria, apenas surtou e pulou, a morte, instantânea, não havia mais o que fazer apenas lamentarem por tamanha covardia.
Milla Charm
Ele estaria arrasado por ter se apaixonado por outra pessoa e não suportou ter que dizer àquela que tanto o amava que ele havia traído sua confiança, sua paixão foi tanta que preferiu se jogar do quarto andar. Ele nem pensou direito como faria, apenas surtou e pulou, a morte, instantânea, não havia mais o que fazer apenas lamentarem por tamanha covardia.
Milla Charm
quinta-feira, 29 de maio de 2008
[subterfúgio ing-iang]
Cansado dessa hipocrisia besta?
Da mesmice de idéias.
Do supérfluo modo de agir com indignidade, só porque está na moda?
Do sorriso forçado ou do olhar penetrante, só para dizer ali quem manda?
Estou cansada desse hipocrisia besta.
Bem que dizem que se uma pessoa te trata bem, mas trata mal o garçom duvide dela.
Mesmo assim não pretendo me igualar a tal supérfluo, a tal hipocrisia apenas para ser in. Mas, in do quê? Para o quê e por quê? Será que as pessoas perderam de uma vez a individualidade, não estou dizendo o egocentrismo, mas saber quem se é, e que se veio fazer, nessa vida?
Será que até agora você que se dizia tão do bem, perdeu o chão, por pura inocência da vossa parte e por vossa culpa. E será que realmente o sentimento seja benevolente e sincero ao ponto de você se estressar e se magoar com umas pessoas apenas para estar ao lado dela?
Veja bem, não é que tudo esteja ai para se provar, mas será que vale a pena deixar a sua vida os seus dogmas e mudar todos os seus paradigmas, apenas para estar ao lado dela?
Não que isso seja ruim, amar é sempre bom, mas será que toda essa nova emoção não seja apenas, passageira? Quem ama mesmo cuida, quem ama mesmo, quer o bem, quem ama mesmo irá te exaltar e não fique achando que tudo se resolverá apenas porque você quer. Irá se resolver se você realmente tiver a presença de espírito para isso e amá-la de verdade, não apenas para ser diferente, não apenas para provar uma outra fruta, mais proibida de todas, mas para você realmente se sentir bem.
Pois se não, não vale a pena toda a dor e tudo que você irá enfrentar para ficar com ela. Agora assuma a sua posição de mulher, assuma seus fracassos, seus embaraços e seus medos e vá viver como se nunca o tivesse feito, mas para isso você precisará se despir de qualquer preconceito e não ter medo dele também.
Enfim só quem vive de verdade sabe a dor e a preguiça de ser o que se é, não é mesmo?
Milla Charm
Da mesmice de idéias.
Do supérfluo modo de agir com indignidade, só porque está na moda?
Do sorriso forçado ou do olhar penetrante, só para dizer ali quem manda?
Estou cansada desse hipocrisia besta.
Bem que dizem que se uma pessoa te trata bem, mas trata mal o garçom duvide dela.
Mesmo assim não pretendo me igualar a tal supérfluo, a tal hipocrisia apenas para ser in. Mas, in do quê? Para o quê e por quê? Será que as pessoas perderam de uma vez a individualidade, não estou dizendo o egocentrismo, mas saber quem se é, e que se veio fazer, nessa vida?
Será que até agora você que se dizia tão do bem, perdeu o chão, por pura inocência da vossa parte e por vossa culpa. E será que realmente o sentimento seja benevolente e sincero ao ponto de você se estressar e se magoar com umas pessoas apenas para estar ao lado dela?
Veja bem, não é que tudo esteja ai para se provar, mas será que vale a pena deixar a sua vida os seus dogmas e mudar todos os seus paradigmas, apenas para estar ao lado dela?
Não que isso seja ruim, amar é sempre bom, mas será que toda essa nova emoção não seja apenas, passageira? Quem ama mesmo cuida, quem ama mesmo, quer o bem, quem ama mesmo irá te exaltar e não fique achando que tudo se resolverá apenas porque você quer. Irá se resolver se você realmente tiver a presença de espírito para isso e amá-la de verdade, não apenas para ser diferente, não apenas para provar uma outra fruta, mais proibida de todas, mas para você realmente se sentir bem.
Pois se não, não vale a pena toda a dor e tudo que você irá enfrentar para ficar com ela. Agora assuma a sua posição de mulher, assuma seus fracassos, seus embaraços e seus medos e vá viver como se nunca o tivesse feito, mas para isso você precisará se despir de qualquer preconceito e não ter medo dele também.
Enfim só quem vive de verdade sabe a dor e a preguiça de ser o que se é, não é mesmo?
Milla Charm
quinta-feira, 1 de maio de 2008
[sub do sub-do-mundo]
Senhoras e senhores.
1° de maio, celebremos!
Para a ridícula e paudurescente condição humana o feriado do trabalho é magnífico, só perde para a grande comemoração da circuncisão de Cristo e, os ovinhos são o que rola.
Após trinta anos de estudo, o Seu Manoel chegou a conclusão básica sobre a existência do homem enquanto ser social: a necessidade da abolição do trabalho. Agora Manoel quer que a revolução lúdica ocorra. Após sua pesquisa concluiu que todo o mal da sociedade moderna, se não é o trabalho é proveniente dele. E ironicamente o narcisismo capitalista é quem celebra o tal dia.
Só agora Manoel não quer ser mais passivo, agora ele quer brincar. Trabalhou, trabalhou e trabalhou. E quando não trabalhava, fazia algo em função do mesmo; transporte; compras inúteis; visitas ao médico; e até mesmo o que teoricamente é chamado de descanso era usado para a preparação de mais um entusiasmante dia de trabalho. E para premiar sua celebração à vida, uma vez por semestre comparecia a uma reunião de seu partido: dito comunista. Não se esqueçam leitores estamos no Brasil... ih mesmo que não estivéssemos, e haja professores de história pra se contrariar. Em cada esquina tem um tentando tornar um idiota qualquer com uma camiseta do Che em seu pupilo. Enfim... idealizações e idealizações de Seu Manoel, e, agora ele sente vontade de balear o próprio pênis... Porra Manoel – se ligou!
Manoel já prometeu amanhã mesmo fundar seu próprio partido anarquista. E está a procura de militantes para sua nobre causa.
Liguemo-nos na foda irmãos!
1° de maio, celebremos!
Para a ridícula e paudurescente condição humana o feriado do trabalho é magnífico, só perde para a grande comemoração da circuncisão de Cristo e, os ovinhos são o que rola.
Após trinta anos de estudo, o Seu Manoel chegou a conclusão básica sobre a existência do homem enquanto ser social: a necessidade da abolição do trabalho. Agora Manoel quer que a revolução lúdica ocorra. Após sua pesquisa concluiu que todo o mal da sociedade moderna, se não é o trabalho é proveniente dele. E ironicamente o narcisismo capitalista é quem celebra o tal dia.
Só agora Manoel não quer ser mais passivo, agora ele quer brincar. Trabalhou, trabalhou e trabalhou. E quando não trabalhava, fazia algo em função do mesmo; transporte; compras inúteis; visitas ao médico; e até mesmo o que teoricamente é chamado de descanso era usado para a preparação de mais um entusiasmante dia de trabalho. E para premiar sua celebração à vida, uma vez por semestre comparecia a uma reunião de seu partido: dito comunista. Não se esqueçam leitores estamos no Brasil... ih mesmo que não estivéssemos, e haja professores de história pra se contrariar. Em cada esquina tem um tentando tornar um idiota qualquer com uma camiseta do Che em seu pupilo. Enfim... idealizações e idealizações de Seu Manoel, e, agora ele sente vontade de balear o próprio pênis... Porra Manoel – se ligou!
Manoel já prometeu amanhã mesmo fundar seu próprio partido anarquista. E está a procura de militantes para sua nobre causa.
Liguemo-nos na foda irmãos!
sábado, 19 de abril de 2008
[subterfúgio irreverente iconoclasta]
Só foi preciso que Freud perdesse o cabaço. E a massa se uniu pela causa mais nobre de todas; a apologia, o abraço ao duende. Em fins de 2006, a super-popularidade de Alexandre Frota favoreceu a revolução para o novo cool. A G magazine explodindo nas bancas, banheira do Gugu. O Frota abandonou a Raia abraçando assim a nova transgressão e a irreverência iconoclasta, explorou o capitalismo de forma que Piva nenhum poderia por defeito. Mas a massa é incoerente e, após o mais lindo de todos os suicídios na Imigrantes, ficaram todos atordoados e clamando por justiça e, assim é a massa, a nova massa: irreverente. Confundiram motivação com justificativa, e que ninguém ouse dizer-lhes que são damas distintas que freqüentam a mesma farra. Afina, sempre aparece um novo modelo de celular: masturbação mental para o proprietário. E nosso Freud contemporâneo afirma “pseudo-anarquia é foda”. Sim senhoras e senhores, o Frota ainda tem muito o que nos ensinar.
quinta-feira, 17 de abril de 2008
[subterfúgio cinza]
Qualquer coisa parecia mais interessante, do que aquilo.
Seria preciso um outro tipo de manifesto?
Não agüentava mais aquele discurso repetitivo e cheio de hipocrisia. Há muito percebia que sua ideologia não mais me convencia. Queria mandá-lo calar, até quando ele se acharia o centro das atenções, aquele egocentrismo estava por demais irritando.
Cocei a cabeça e cruzei e descruzei as pernas, impaciente abri a bolsa para pegar meu espelhinho e retocar a maquiagem. Vi que havia uma ligação perdida no celular e resolvi sair daquele cubículo, pelo menos tinha uma desculpa.
No celular era Rouxelle, o que seria dessa vez? Será outra briga com Pedro? Será que dessa vez ela daria um basta nos seus delírios e se fosse pior e se ela estivesse numa roubada, ela sempre se metia em encrencas e eu estava sempre tentando tapar o sol com a peneira, afinal desde pequena sempre livrei-a dos problemas. Mas agora estava passando dos limitess o vício havia tomado conta por demais de sua vida besta. Na verdade estava cansada de salvar Rouxelle, mas está no inferno abraça o capeta, não e?
- Rouxelle?! Oi é Mi, fala baranga o que você precisa agora?
- Porra Milla não fala assim comigo....
- Você viu que horas são?
- Até parece que você estava dormindo se te conheço você estava com o reacionário do Silvio, não é?
- Afffe fala o que aconteceu?
- Vamos para o Liderança?
- Ahhhhh pára, não agüento aquele lugar, não sei como você consegue, aqueles babões, Ro, não dá pra mim e nem curto jogar, fazer lá o que? E o Pedro?
- Está lá pra variar, dormindo cheio de conhaque e uma bela trepada, ronca feito um porco.
- Você adora vai! Se não fosse isso não estaria com ele até hoje.
- Não Sei Milla, acho que já era.
- Duvido!
- Enfim você vem ou não ?
- Vou sair daqui e passo lá pra ver se você ainda está viva.
- Ok, beijos xau.
- Xau sua maluca!
Agora eu tinha um motivo bom para sair dali. Dei um breve adeus para o Silvio e fui àquele lugar peçonhento.
O caminho sempre estranho, sempre achava que alguém me espreitava, ainda era outono? Há dias não via o sol. Pelas minhas contas deveríamos estar quase no inverno, aqueles dias sombrios, queria logo um sol de verão, estava cansada do cinza, das cinzas, elas só serve quando renascemos como a fênix, mas estava longe de renascer, apenas cansada dessa vida besta.
Seria preciso um outro tipo de manifesto?
Não agüentava mais aquele discurso repetitivo e cheio de hipocrisia. Há muito percebia que sua ideologia não mais me convencia. Queria mandá-lo calar, até quando ele se acharia o centro das atenções, aquele egocentrismo estava por demais irritando.
Cocei a cabeça e cruzei e descruzei as pernas, impaciente abri a bolsa para pegar meu espelhinho e retocar a maquiagem. Vi que havia uma ligação perdida no celular e resolvi sair daquele cubículo, pelo menos tinha uma desculpa.
No celular era Rouxelle, o que seria dessa vez? Será outra briga com Pedro? Será que dessa vez ela daria um basta nos seus delírios e se fosse pior e se ela estivesse numa roubada, ela sempre se metia em encrencas e eu estava sempre tentando tapar o sol com a peneira, afinal desde pequena sempre livrei-a dos problemas. Mas agora estava passando dos limitess o vício havia tomado conta por demais de sua vida besta. Na verdade estava cansada de salvar Rouxelle, mas está no inferno abraça o capeta, não e?
- Rouxelle?! Oi é Mi, fala baranga o que você precisa agora?
- Porra Milla não fala assim comigo....
- Você viu que horas são?
- Até parece que você estava dormindo se te conheço você estava com o reacionário do Silvio, não é?
- Afffe fala o que aconteceu?
- Vamos para o Liderança?
- Ahhhhh pára, não agüento aquele lugar, não sei como você consegue, aqueles babões, Ro, não dá pra mim e nem curto jogar, fazer lá o que? E o Pedro?
- Está lá pra variar, dormindo cheio de conhaque e uma bela trepada, ronca feito um porco.
- Você adora vai! Se não fosse isso não estaria com ele até hoje.
- Não Sei Milla, acho que já era.
- Duvido!
- Enfim você vem ou não ?
- Vou sair daqui e passo lá pra ver se você ainda está viva.
- Ok, beijos xau.
- Xau sua maluca!
Agora eu tinha um motivo bom para sair dali. Dei um breve adeus para o Silvio e fui àquele lugar peçonhento.
O caminho sempre estranho, sempre achava que alguém me espreitava, ainda era outono? Há dias não via o sol. Pelas minhas contas deveríamos estar quase no inverno, aqueles dias sombrios, queria logo um sol de verão, estava cansada do cinza, das cinzas, elas só serve quando renascemos como a fênix, mas estava longe de renascer, apenas cansada dessa vida besta.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
[subterfúgio do início de mês]
Oscar foi empurrado pelas próprias idealizações até chegar num ponto crítico. E o rompeu. Depois disso a única coisa importante foi o que sobrou do amor. Do seu amor, livre de conceitos. A sagrada prostituição de sua alma. Após a ruptura a transgressão tornou-se natural. Maquiavel não lhe dava alento, alias, seu princípio deixava-o desesperado. A suposição da morte o horrorizava, por isso entendia que a maioria das pessoas joga isso pra o inconsciente, igual o início da vida, esquecimento proposital do lugar que saímos e como caímos aqui. E a vida ganhou o soneto de fidelidade, o groucho-marxismo.
[subterfúgio risca de giz]
Levantava-se todos as sete para ir ao trabalho, com exceção dos dias de ressaca, sentia os miolos soltos dentro da caixa craniana, isto é, quando acordava a tempo. Semanas, meses e anos de amargura se passavam sem que Oscar se desse conta de que a vida passava. Contudo nunca reclamara de coisa alguma. Afinal, não era um sujeito típico e havia até, muitos que invejavam sua posição, inclusive José Carlos.
O pavil nunca deixa de queimar, por mais que pensemos que o fogo sinuoso estabilizado se dirigindo ao fim. Ora em outra, sempre há uma maior concentração de fosfato num ponto aleatório.
E foi isso. Oscar não quis leis de repente, mas estava disposto a negociar, seria sincero, sem ligar para o que deus ou o coelho da páscoa pensam. O fato é que ele queria algo e assim o fez. Demitiu-se. Através de seus subterfúgios, com todos os direitos trabalhistas e mais um pouco garantido.
Gatos vadios nem sempre se encontram. Roxelle que o diga.Oscar comprou um relógio de ouro e, sob medida encomendou um belo terno risca de giz, com camisa de linho branco, gravata de seda vinho e tudo mais... e apropriou-se de um metro linear num dos balcões mais caros da cidade., martines e cigarrilhas cubanas a vontade... até que atraísse as melhores putas. Mas só as melhores.
[subterfúgio risca de giz]
Levantava-se todos as sete para ir ao trabalho, com exceção dos dias de ressaca, sentia os miolos soltos dentro da caixa craniana, isto é, quando acordava a tempo. Semanas, meses e anos de amargura se passavam sem que Oscar se desse conta de que a vida passava. Contudo nunca reclamara de coisa alguma. Afinal, não era um sujeito típico e havia até, muitos que invejavam sua posição, inclusive José Carlos.
O pavil nunca deixa de queimar, por mais que pensemos que o fogo sinuoso estabilizado se dirigindo ao fim. Ora em outra, sempre há uma maior concentração de fosfato num ponto aleatório.
E foi isso. Oscar não quis leis de repente, mas estava disposto a negociar, seria sincero, sem ligar para o que deus ou o coelho da páscoa pensam. O fato é que ele queria algo e assim o fez. Demitiu-se. Através de seus subterfúgios, com todos os direitos trabalhistas e mais um pouco garantido.
Gatos vadios nem sempre se encontram. Roxelle que o diga.Oscar comprou um relógio de ouro e, sob medida encomendou um belo terno risca de giz, com camisa de linho branco, gravata de seda vinho e tudo mais... e apropriou-se de um metro linear num dos balcões mais caros da cidade., martines e cigarrilhas cubanas a vontade... até que atraísse as melhores putas. Mas só as melhores.
domingo, 13 de abril de 2008
[subterfúgio do fim do mês]
José Carlos tem um emprego burocrático. Sub-divisão três de marketing, assessoria do vice-encarregado de relações públicas. E por ai vai... vez em outra ganha uma promoção. Vive entediado. Revisa textos e relatórios que devem ser enviados ao cartório central. Funcionário número 125, o que é notável.
Todos os dias pega uma hora e meia de transito para chegar em casa. Não tem filho. Janta, vê TV, toma banho, não escova os dentes nem faz amor com a esposa e, dorme.
Há vinte e cinco anos ele trabalha na empresa, desde que terminou a faculdade. Na comemoração de dez anos ele pode dar um carro de presente à esposa. Difícil saber se ela é feliz... quais serão os subterfúgios da pobre [?] Dª Martha? José Carlos ganha um bom salário por mês em troca de seu trabalho inútil.
Todo fim de mês ele deixa metade desse dinheiro na buceta da Danielly.
Todos os dias pega uma hora e meia de transito para chegar em casa. Não tem filho. Janta, vê TV, toma banho, não escova os dentes nem faz amor com a esposa e, dorme.
Há vinte e cinco anos ele trabalha na empresa, desde que terminou a faculdade. Na comemoração de dez anos ele pode dar um carro de presente à esposa. Difícil saber se ela é feliz... quais serão os subterfúgios da pobre [?] Dª Martha? José Carlos ganha um bom salário por mês em troca de seu trabalho inútil.
Todo fim de mês ele deixa metade desse dinheiro na buceta da Danielly.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
[subterfúgio dos prazeres póstumos]
Na manhã seguinte Akemi foi embora. Me sentei na escrivaninha, fumei um cigarro – ela esqueceu o maço – e em celebração a nós:
"SALTO 23"
O senhor é delator – por tudo que me falta.
Deitar-me faz sobre lençóis vermelhos, guia-me sutilmente em terras quentes e férteis.
Refrigera minha mente; guia-me pelas veredas surreais pela paixão do seu promiscuo nome.
Ainda que eu sobrevoasse o vale das sombras urbanas, não temeria bem algum, por que o mundo esta comigo; a minha vara (meu cajado!) os consola.
Preparemos uma farta mesa, para mim e meus amigos, unges o chão com vinho, os cálices transbordam.
Certamente que a impetuosidade e a paixão seguirão todos os dias de minha vida, e habitarei a casa do SENHOR por longos dias.
"SALTO 23"
O senhor é delator – por tudo que me falta.
Deitar-me faz sobre lençóis vermelhos, guia-me sutilmente em terras quentes e férteis.
Refrigera minha mente; guia-me pelas veredas surreais pela paixão do seu promiscuo nome.
Ainda que eu sobrevoasse o vale das sombras urbanas, não temeria bem algum, por que o mundo esta comigo; a minha vara (meu cajado!) os consola.
Preparemos uma farta mesa, para mim e meus amigos, unges o chão com vinho, os cálices transbordam.
Certamente que a impetuosidade e a paixão seguirão todos os dias de minha vida, e habitarei a casa do SENHOR por longos dias.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
[subterfúgios do vício]
Caminhou a passos largos se ela tivesse sorte encontraria ainda um parceiro que quisesse lhe dar algum prazer naquela madrugada quente, acendeu um cigarro, mas estava tão alucinada que não viu que alguém a seguia. Ainda tinha lágrimas nos olhos, mas uma parte dela queria muito se satisfazer, a outra ficava com sentimento de culpa por ter lavado o único dinheiro que Pedro tinha.
Roxelle estava desesperada, não sabia o que fazer. Aquela divida imensa, não poderia mais pegar grana emprestada de ninguém, aquele agiota a quem devia estava a jurando de morte, o dono da boca que ela era amiga, já não podia fazer mais nada. Ele precisava jogar de novo, o que fazer? Ah! O ingênuo do Pedro deixou a carteira bem ali, “não Roxelle”, ela pensava, uma voz interior dizia que ele era legal e que não merecia isso, mas ela já estava desesperada, é claro que Pedro não sabia de nada, nem imaginava o cara só pensava em gozar, só pensava nas suas pernas abertas e de preferência que ela estivesse de quatro e se ela gritasse melhor ainda. Então ela pensou: “Vou pegar a carteira dele ele vai ficar “puto”, mas “tô fudida” mesmo, e ainda posso dar um tempo, nessa neura que ele tem por mim.”.
A Roxelle era linda, cabelos negros e olhos verdes, pela muito branca e uma boca totalmente desenhada e rosada, um corpo de deusa com um pouco a mais de quadril. Mas depois que o jogo se tornou um vício altamente consumível de sua alma vazia ela se tornou opaca, sem brilho, mesmo assim Pedro continuava apaixonado por ela, mas ela não acreditava em amor, sabia que era carnal, de pele, sabia que ele gostava mesmo era de uma boa metida. Já não tinha muito o quê perder ela já estava cansada daqueles dias em que suas noites eram de bebidas e muita transa, ela queria é sentir o pulsar daquele adrenalina, aquele medo, aquela ansiedade. Na verdade somos tão pequenos que precisamos sempre de um outro vício, e Pedro já não fazia muito mais a sua cabeça. Gozar, isso era pouco, mais que cocaína ela queria o prazer de um momento entre seu parceiro e seu adversário e um trago e um olhar impassível.
Com lágrimas nos olhos ela deu uma ultima olhada no seu dom juan as avessas e fechou a porta para talvez nunca voltar.
Ainda sendo seguida as lágrimas rolavam, mas na sua sandice nem percebia.
M. Charm
Roxelle estava desesperada, não sabia o que fazer. Aquela divida imensa, não poderia mais pegar grana emprestada de ninguém, aquele agiota a quem devia estava a jurando de morte, o dono da boca que ela era amiga, já não podia fazer mais nada. Ele precisava jogar de novo, o que fazer? Ah! O ingênuo do Pedro deixou a carteira bem ali, “não Roxelle”, ela pensava, uma voz interior dizia que ele era legal e que não merecia isso, mas ela já estava desesperada, é claro que Pedro não sabia de nada, nem imaginava o cara só pensava em gozar, só pensava nas suas pernas abertas e de preferência que ela estivesse de quatro e se ela gritasse melhor ainda. Então ela pensou: “Vou pegar a carteira dele ele vai ficar “puto”, mas “tô fudida” mesmo, e ainda posso dar um tempo, nessa neura que ele tem por mim.”.
A Roxelle era linda, cabelos negros e olhos verdes, pela muito branca e uma boca totalmente desenhada e rosada, um corpo de deusa com um pouco a mais de quadril. Mas depois que o jogo se tornou um vício altamente consumível de sua alma vazia ela se tornou opaca, sem brilho, mesmo assim Pedro continuava apaixonado por ela, mas ela não acreditava em amor, sabia que era carnal, de pele, sabia que ele gostava mesmo era de uma boa metida. Já não tinha muito o quê perder ela já estava cansada daqueles dias em que suas noites eram de bebidas e muita transa, ela queria é sentir o pulsar daquele adrenalina, aquele medo, aquela ansiedade. Na verdade somos tão pequenos que precisamos sempre de um outro vício, e Pedro já não fazia muito mais a sua cabeça. Gozar, isso era pouco, mais que cocaína ela queria o prazer de um momento entre seu parceiro e seu adversário e um trago e um olhar impassível.
Com lágrimas nos olhos ela deu uma ultima olhada no seu dom juan as avessas e fechou a porta para talvez nunca voltar.
Ainda sendo seguida as lágrimas rolavam, mas na sua sandice nem percebia.
M. Charm
domingo, 6 de abril de 2008
[subterfúgios dos cães e gatos]
Pedro – mais uma de minhas amizades hediondas – me ligou, queria beber. E difícil saber na verdade o que se pensa, o que se quer... o motivo das coisas. Meu novo objetivo tem sido este – encontrar um motivo para as coisas – um dia se deus quiser e o demônio permitir, uma vagina pulsante qualquer me convencerá que motivos não existem e se existem – são desnecessários.
Um botequinho podre, um conhaque, um disco do Jeef Beck seriam capazes de curar as profundas dores da alma do Pedro, seria... pois ele ainda não sofre de desespero e isso sim é alarmante.
Entretanto, ele preferiu me ligar.
Mais uma vez havia sido abandonado por seus vícios líricos.
[subterfúgio do tempo]
– Quantas vezes pode-se viver?
– Muitas.
[subterfúgio do tempo curto]
Nessa minha empreitada de anti-conselheiro charlatânico, descobri que antes do banho frio, é necessário preparar o corpo: dar pequenas salpicadas de gelo no pescoço.
– Alô...
– Alô, Santana... aqui é o Pedro.
– Deixa eu adivinhar. A morte está espreitando...
– Cala a boca! Alias, não se cale. Eu é que estou espreitando sua imprevisibilidade. Este mundo está uma bosta.
– Sim. O mundo é uma merda, mas viver vale a pena. O que está acontecendo? Apareça por aqui... arrumei mobília nova, uma daquelas mesas de centro da Leiteria Korova.
– Ladrão. Mas não é isso. Lembra da Roxelle?
– Lembro.
– Pois é, roubou minha carteira e sumiu.
– Não vai me pedir dinheiro emprestado né...
– Ih. Que nada: o roubo é só a ponta do iceberg. O problema é o abandono.
A essa altura Pedro estava mesmo precisando de um trago. Quem em sã consciência me ligaria as duas da tarde? O horário da profunda revolta. Mas enfim... amigo fodido é para essas coisas. Pedir alento a almas de artistas financeiramente falidas. Então pedi que ele aparecesse.
Bateu na porta com convicção. Através do olho mágico percebi os olhos fundos, a barba feita, o mesmo paletó há dias.
– Entra meu velho. Eu ofereceria bebidas se as tivesse.
– Tudo bem. Eu aceito um copo d’água.
– Claro. Senta aí.
Teve de tirar as revistas do sofá antes de sentar. Eu tive de lavar um copo. Quando voltei ele estava acendendo um cigarro. Ofereceu. Enchi a mão, acendi um e coloquei o resto na prateleira.
– O que a Roxelle fez? – perguntei.
– Tudo. Menos retribuir minha bondade. Você sabe que sou um homem íntegro. Quantos vícios eu suportei, atrasou desvios de personalidade.
– Bom, mas até aí, não tem nada de novo. Deixa eu adivinha mais uma vez. Você destrinchou toda a sua vida para ela e por ela.
– Aí também não tem nenhuma novidade.
– Certamente, mas você está equivocado em acreditar que não é culpado. Quem falou que fazer bem aos outros é garantia de sucesso. A história prova.
– E o que garante?
– Nada.
[subterfúgio comercial]
“o programa que está sendo exibido é uma produção independente, as idéias e opiniões nele expressas são de responsabilidade única e exclusiva de seus idealizadores”
[subterfúgio das cães e gatos]
– Procure pensar que não importa o que você ou ela fez... pense no que pode ser feito agora que a merda já se consumou – eu disse.
– Sabe o que acontece... você é um vagabundo, por isso não liga pra nada.
Deu um trago no cigarro.
– Ela me tratou feito um cão.
Agora ele já estava pronto para o banho. Caminhei até o armário e peguei dentro meia garrafa de wiskie que ainda sobrava.
– Toma um gole. Ela te trata como um cão porque é isso que você é.
– Mas um cão não merece amor.
– Não. Cães não têm dignidade para merecer nada que dure. Você já parou pra pensar no que disse? Já parou para observar o comportamento de um cão? Nem chega a ser digno de pena. É simplesmente uma vergonha. Basta o menor sinal de afeto para que saiam abanando o rabo e lambendo. Se a pessoa o ignora, ele não percebe, quando compreende. Seus sentimentos já se tornaram ridículos. Você é um cão e pode até demarcar seu território, mas isso não segura ninguém, ainda mais se for com outro cão que você estiver lidado.
– Não. A Roxelle não é um cão, mas eu sou. O que não facilita em nada a vida.
– Ninguém disse que é fácil. Mas certamente deve ser divertido.
– Está certo. mas sendo um cão e isso é fato. O que faço? Diga. Já que tem todas as respostas...
Toma mais um gole.
– O que você faz Pedro? O que você faz? Sabe qual é o subterfúgio dos cães, meu amigo.
– ...
– Viver na contramão. Negue sua condição canina, até se transformar num gato.
Um botequinho podre, um conhaque, um disco do Jeef Beck seriam capazes de curar as profundas dores da alma do Pedro, seria... pois ele ainda não sofre de desespero e isso sim é alarmante.
Entretanto, ele preferiu me ligar.
Mais uma vez havia sido abandonado por seus vícios líricos.
[subterfúgio do tempo]
– Quantas vezes pode-se viver?
– Muitas.
[subterfúgio do tempo curto]
Nessa minha empreitada de anti-conselheiro charlatânico, descobri que antes do banho frio, é necessário preparar o corpo: dar pequenas salpicadas de gelo no pescoço.
– Alô...
– Alô, Santana... aqui é o Pedro.
– Deixa eu adivinhar. A morte está espreitando...
– Cala a boca! Alias, não se cale. Eu é que estou espreitando sua imprevisibilidade. Este mundo está uma bosta.
– Sim. O mundo é uma merda, mas viver vale a pena. O que está acontecendo? Apareça por aqui... arrumei mobília nova, uma daquelas mesas de centro da Leiteria Korova.
– Ladrão. Mas não é isso. Lembra da Roxelle?
– Lembro.
– Pois é, roubou minha carteira e sumiu.
– Não vai me pedir dinheiro emprestado né...
– Ih. Que nada: o roubo é só a ponta do iceberg. O problema é o abandono.
A essa altura Pedro estava mesmo precisando de um trago. Quem em sã consciência me ligaria as duas da tarde? O horário da profunda revolta. Mas enfim... amigo fodido é para essas coisas. Pedir alento a almas de artistas financeiramente falidas. Então pedi que ele aparecesse.
Bateu na porta com convicção. Através do olho mágico percebi os olhos fundos, a barba feita, o mesmo paletó há dias.
– Entra meu velho. Eu ofereceria bebidas se as tivesse.
– Tudo bem. Eu aceito um copo d’água.
– Claro. Senta aí.
Teve de tirar as revistas do sofá antes de sentar. Eu tive de lavar um copo. Quando voltei ele estava acendendo um cigarro. Ofereceu. Enchi a mão, acendi um e coloquei o resto na prateleira.
– O que a Roxelle fez? – perguntei.
– Tudo. Menos retribuir minha bondade. Você sabe que sou um homem íntegro. Quantos vícios eu suportei, atrasou desvios de personalidade.
– Bom, mas até aí, não tem nada de novo. Deixa eu adivinha mais uma vez. Você destrinchou toda a sua vida para ela e por ela.
– Aí também não tem nenhuma novidade.
– Certamente, mas você está equivocado em acreditar que não é culpado. Quem falou que fazer bem aos outros é garantia de sucesso. A história prova.
– E o que garante?
– Nada.
[subterfúgio comercial]
“o programa que está sendo exibido é uma produção independente, as idéias e opiniões nele expressas são de responsabilidade única e exclusiva de seus idealizadores”
[subterfúgio das cães e gatos]
– Procure pensar que não importa o que você ou ela fez... pense no que pode ser feito agora que a merda já se consumou – eu disse.
– Sabe o que acontece... você é um vagabundo, por isso não liga pra nada.
Deu um trago no cigarro.
– Ela me tratou feito um cão.
Agora ele já estava pronto para o banho. Caminhei até o armário e peguei dentro meia garrafa de wiskie que ainda sobrava.
– Toma um gole. Ela te trata como um cão porque é isso que você é.
– Mas um cão não merece amor.
– Não. Cães não têm dignidade para merecer nada que dure. Você já parou pra pensar no que disse? Já parou para observar o comportamento de um cão? Nem chega a ser digno de pena. É simplesmente uma vergonha. Basta o menor sinal de afeto para que saiam abanando o rabo e lambendo. Se a pessoa o ignora, ele não percebe, quando compreende. Seus sentimentos já se tornaram ridículos. Você é um cão e pode até demarcar seu território, mas isso não segura ninguém, ainda mais se for com outro cão que você estiver lidado.
– Não. A Roxelle não é um cão, mas eu sou. O que não facilita em nada a vida.
– Ninguém disse que é fácil. Mas certamente deve ser divertido.
– Está certo. mas sendo um cão e isso é fato. O que faço? Diga. Já que tem todas as respostas...
Toma mais um gole.
– O que você faz Pedro? O que você faz? Sabe qual é o subterfúgio dos cães, meu amigo.
– ...
– Viver na contramão. Negue sua condição canina, até se transformar num gato.
quinta-feira, 3 de abril de 2008
[subterfúgios da sociologia]
O professor Fábio ministrava suas aulas com mais paixão do que parecia humanamente possível.Tinha idéia formada e argumentava.
– A antropofagia só existe na arte. Mas efetivamente a arte não é a cultura. É só uma representação da realidade, uma representação utópica, por isso, dentro do campo teórico desnecessária. A menos que vocês sejam humanos [têm estomago pra isso?]. E o que faremos? Choremos pelo imutável? Tornemos o sofrimento suportável e o prazer venerável...
Os alunos tinham receio de tal figura. Figuras de linguagem e figura anti-humana: que projetava palavrões a todos os “sins”. Figura de aparência arcaica, apesar do corpo jovem. Suas gravatas estreitas e mal arrumadas era o que mais chamava atenção.
Curioso que quase todos os dias alguma coisa o sacudia de sua existência cheia de pó. No dia de seu pagamento, estava tentando conter os pensamentos hostis. Saiu do caixa eletrônico; logo um mendigo sacudiu a canequinha – Pelo amor de Deus – O professor sentiu uma propensão a jogar, naquele momento, sua vida pelos ares, dar todo seu salário a ele, depois pagar o aluguel com esperma... esperma. Passou por seus pensamentos a idéia de dar um chute ou uma bela defecada na canequinha.
E o dia seguiu.
Mais tarde na aula, Carla o questionou. Primeira vez em semanas: não contendo a euforia Fábio caminhou até ela batendo palmas em câmera lenta.
– Queremos o fim. E o senhor o que diz? O que faz com isso tudo, cria suas próprias leis – disse Carla.
– Eu simplesmente vivo meu bem. O que mais eu poderia fazer? Subverter leis como você sugere... e se eu te dissesse que lei: é uma grande utopia. E muito mais que isso são obsoletas.
– E qual é a conclusão?
– Já disse. Lei é utopia e utopia é lei: o caos. É isso que estou dizendo ora! Se leis em todos os aspectos são para serem seguidas o que acontece então? Não existe. Pergunta; Se para toda regra há uma exceção, qual a exceção desta? Resposta; Exceção é a única regra. E mais... o que acontece se eu infrinjo uma lei. Aqui e agora... Gostosa!!! Quero te lamber toda! Uh... que cara de espanto... Deixa eu te dizer minha linda: os carros também batem quando estão no piloto automático. Os músculos tremem involuntariamente, os músculos tremem em todas as situações... E você. Ainda quer saber a solução?
– O senhor é louco...
– E a senhorita é normal. Normal.
– A antropofagia só existe na arte. Mas efetivamente a arte não é a cultura. É só uma representação da realidade, uma representação utópica, por isso, dentro do campo teórico desnecessária. A menos que vocês sejam humanos [têm estomago pra isso?]. E o que faremos? Choremos pelo imutável? Tornemos o sofrimento suportável e o prazer venerável...
Os alunos tinham receio de tal figura. Figuras de linguagem e figura anti-humana: que projetava palavrões a todos os “sins”. Figura de aparência arcaica, apesar do corpo jovem. Suas gravatas estreitas e mal arrumadas era o que mais chamava atenção.
Curioso que quase todos os dias alguma coisa o sacudia de sua existência cheia de pó. No dia de seu pagamento, estava tentando conter os pensamentos hostis. Saiu do caixa eletrônico; logo um mendigo sacudiu a canequinha – Pelo amor de Deus – O professor sentiu uma propensão a jogar, naquele momento, sua vida pelos ares, dar todo seu salário a ele, depois pagar o aluguel com esperma... esperma. Passou por seus pensamentos a idéia de dar um chute ou uma bela defecada na canequinha.
E o dia seguiu.
Mais tarde na aula, Carla o questionou. Primeira vez em semanas: não contendo a euforia Fábio caminhou até ela batendo palmas em câmera lenta.
– Queremos o fim. E o senhor o que diz? O que faz com isso tudo, cria suas próprias leis – disse Carla.
– Eu simplesmente vivo meu bem. O que mais eu poderia fazer? Subverter leis como você sugere... e se eu te dissesse que lei: é uma grande utopia. E muito mais que isso são obsoletas.
– E qual é a conclusão?
– Já disse. Lei é utopia e utopia é lei: o caos. É isso que estou dizendo ora! Se leis em todos os aspectos são para serem seguidas o que acontece então? Não existe. Pergunta; Se para toda regra há uma exceção, qual a exceção desta? Resposta; Exceção é a única regra. E mais... o que acontece se eu infrinjo uma lei. Aqui e agora... Gostosa!!! Quero te lamber toda! Uh... que cara de espanto... Deixa eu te dizer minha linda: os carros também batem quando estão no piloto automático. Os músculos tremem involuntariamente, os músculos tremem em todas as situações... E você. Ainda quer saber a solução?
– O senhor é louco...
– E a senhorita é normal. Normal.
[subterfúgio existencial]
Uma vazia mente me enche de tédio.
Nesses dias desconcertados, talvez Camões tenha razão, em “Desconcerto do Mundo”. Onde estará a nossa parcela de culpa?
Não quer ir buscá-la, e não quero ser centrada, preciso a margem.
Pára de achar que tudo é errado, algumas coisas são certas. Estão certas, mas eu estou ainda à margem.
Ah, não quero mesmo ser centrada, certeza!
Certeza? Como cravos e canelas?
Não gosto do gosto da canela do vinho quente e nem de cigarros de cravo.
Cravo seria um instrumento, como a minha mente medieval? Não vazia?
E a canela não seria aquela que eu bato na ponta de minha cama, quando acordo no avesso.
O avesso que legal, não é? Onde se esconde a risca de giz que o alfaiate usou para costurar tão lindo seu terno de veludo azul.
O veludo que é fetiche de minha mente, ainda vazia?
Não acho mais o tédio impreciso de minha mente a vagar entre tudo isso.
Será mesmo vazia?
Milla Charm
Nesses dias desconcertados, talvez Camões tenha razão, em “Desconcerto do Mundo”. Onde estará a nossa parcela de culpa?
Não quer ir buscá-la, e não quero ser centrada, preciso a margem.
Pára de achar que tudo é errado, algumas coisas são certas. Estão certas, mas eu estou ainda à margem.
Ah, não quero mesmo ser centrada, certeza!
Certeza? Como cravos e canelas?
Não gosto do gosto da canela do vinho quente e nem de cigarros de cravo.
Cravo seria um instrumento, como a minha mente medieval? Não vazia?
E a canela não seria aquela que eu bato na ponta de minha cama, quando acordo no avesso.
O avesso que legal, não é? Onde se esconde a risca de giz que o alfaiate usou para costurar tão lindo seu terno de veludo azul.
O veludo que é fetiche de minha mente, ainda vazia?
Não acho mais o tédio impreciso de minha mente a vagar entre tudo isso.
Será mesmo vazia?
Milla Charm
quarta-feira, 2 de abril de 2008
[subterfúgio de cravo e canela]
Boa noite senhoras e senhores... Os felicito.
“hoje eu abandono os pavimentos e abraço a terra”
Não tenho pretensão de ser policarpo, nem o estimo tanto, porém o respeito. Hoje me sinto abraçado por um mundo vermelho cheio de amoras. Como um casal de namorados que passeiam na quermesse no início de uma noite fria e clara de outono, tomando vinho quente e fumando cigarros de cravo.
“hoje eu abandono os pavimentos e abraço a terra”
Não tenho pretensão de ser policarpo, nem o estimo tanto, porém o respeito. Hoje me sinto abraçado por um mundo vermelho cheio de amoras. Como um casal de namorados que passeiam na quermesse no início de uma noite fria e clara de outono, tomando vinho quente e fumando cigarros de cravo.
terça-feira, 1 de abril de 2008
[subterfúgio lotado]
[subterfúgio lotado]
São Paulo, 21 de Janeiro de 2007.
O metrô lotado fiquei pensando por quê? Tanta gente pra lá e pra cá. Aonde vão? O que pensam? O que fazem? Que medo, de repente poderia ter por ai um sociopata, não é mesmo? Com tantos traumas que levamos, essa pessoa ai do seu lado pode ser uma.
Dureza, ainda pegar todo esse transito de gente e ficar o dia todo em frente daquele “help-desck”. Naquela sala abafada e escura, e as pessoas esquisitas que ai estão para ganhar um tipo de esmola pelo seu trabalho. Ainda me livro disso, quase falei em voz alta e um companheiro de sela fez uma interjeição tipo “Hãam?!”, dei um aceno rápido com a mão, não quero contatos com ninguém hoje. Estou reclusa. Aliás, sempre reclusa, não consigo simplesmente chegar e conversar. Senti falta dele, ele sim me entende, é esquisito também, lógico não poderia atrair ninguém normal, não tem nada de normal nessa terra subversiva. Quero uma tequila estou cansada dessa monotonia. Mas preciso desse empreguinho de merda, ganho pouco, mas dá pra pagar o “cafofo” e ainda sobra uma grana pra tequila. Hora da alforria e sempre uma alegria, se alegria houvesse realmente para rimar com isso. Corri o mais rápido que pude, ainda tinha que passar na Galeria e tentar convencê-la de ficar com aquela obra, mas ela já tinha me dito que não a queria lá, era muito fora do contexto de suas peças, não entendi, achei que era pessoal. Mesmo assim fui mais uma vez lá.
Empurrei a porta e senti o cheiro daquele incenso de tangerina, me deu certo enjôo ainda não havia comido nada saudável naquele dia, a não ser um pão de queijo e um café puro, a sineta da porta tocou e observei que talvez ela tivesse limpado os vidros, pois achei a sala mais iluminada. A arrogância com que me tratava parecia algo além de minha compreensão, mas precisava dela não conhecia mais ninguém que pudesse vender minhas esculturas, e gostava do pessoal que ali freqüentava. Está certo que não era nenhum “Rodin”, nem um “Aleijadinho”, mas gostava de minhas peças. E apreciava lugares assim, não dá pra ficar na mesmice e sempre estava na procura de algo diferente.
Foi quando eu esbarrei e derrubei tudo que ele estava nos braços.
- Ah! Desculpe, me desculpe sempre tão distraída. Falei.
Abaixamos para recolher aquele monte de folhas. Pareceu-me bem clichê, um encontrão e de repente um olhar diferente.
- Não foi nada, você me paga um café e estamos quites. Ele disse.
Acho que na hora corei não me lembro direito. Alguns minutos se perderam até eu voltar no meu ritmo, realmente precisava de um café e rápido.
Milla
São Paulo, 21 de Janeiro de 2007.
O metrô lotado fiquei pensando por quê? Tanta gente pra lá e pra cá. Aonde vão? O que pensam? O que fazem? Que medo, de repente poderia ter por ai um sociopata, não é mesmo? Com tantos traumas que levamos, essa pessoa ai do seu lado pode ser uma.
Dureza, ainda pegar todo esse transito de gente e ficar o dia todo em frente daquele “help-desck”. Naquela sala abafada e escura, e as pessoas esquisitas que ai estão para ganhar um tipo de esmola pelo seu trabalho. Ainda me livro disso, quase falei em voz alta e um companheiro de sela fez uma interjeição tipo “Hãam?!”, dei um aceno rápido com a mão, não quero contatos com ninguém hoje. Estou reclusa. Aliás, sempre reclusa, não consigo simplesmente chegar e conversar. Senti falta dele, ele sim me entende, é esquisito também, lógico não poderia atrair ninguém normal, não tem nada de normal nessa terra subversiva. Quero uma tequila estou cansada dessa monotonia. Mas preciso desse empreguinho de merda, ganho pouco, mas dá pra pagar o “cafofo” e ainda sobra uma grana pra tequila. Hora da alforria e sempre uma alegria, se alegria houvesse realmente para rimar com isso. Corri o mais rápido que pude, ainda tinha que passar na Galeria e tentar convencê-la de ficar com aquela obra, mas ela já tinha me dito que não a queria lá, era muito fora do contexto de suas peças, não entendi, achei que era pessoal. Mesmo assim fui mais uma vez lá.
Empurrei a porta e senti o cheiro daquele incenso de tangerina, me deu certo enjôo ainda não havia comido nada saudável naquele dia, a não ser um pão de queijo e um café puro, a sineta da porta tocou e observei que talvez ela tivesse limpado os vidros, pois achei a sala mais iluminada. A arrogância com que me tratava parecia algo além de minha compreensão, mas precisava dela não conhecia mais ninguém que pudesse vender minhas esculturas, e gostava do pessoal que ali freqüentava. Está certo que não era nenhum “Rodin”, nem um “Aleijadinho”, mas gostava de minhas peças. E apreciava lugares assim, não dá pra ficar na mesmice e sempre estava na procura de algo diferente.
Foi quando eu esbarrei e derrubei tudo que ele estava nos braços.
- Ah! Desculpe, me desculpe sempre tão distraída. Falei.
Abaixamos para recolher aquele monte de folhas. Pareceu-me bem clichê, um encontrão e de repente um olhar diferente.
- Não foi nada, você me paga um café e estamos quites. Ele disse.
Acho que na hora corei não me lembro direito. Alguns minutos se perderam até eu voltar no meu ritmo, realmente precisava de um café e rápido.
Milla
domingo, 30 de março de 2008
[interlúdios de Roxelle]
Acordar... Dormir...E... De repente Roxelle acordou. Não se sabe do que. Talvez do grande sonho que é a vida. Quem sabe... Deitada ali com a luz acesa. Uma aparente desimportância e falta de interesse. Em frente ao mundo. A faz refletir, da forma mais estranha e subjetiva que ela já vira. Afinal o que ela estava fazendo ali? Nem ela, nem ninguém sabia explicar. Era apenas aquela sensação de deslocamento de espírito. Que ela esperava que todas as pessoas sentissem. Ao menos uma vez na vida. Era irracional. Um estranho sentimento com cheiro de incenso. Que tomava conta de todo o quarto. Um nó na garganta que parecia estar ali toda sua vida. Alias mais que vida. Toda existência daquele aparente eterno espírito. Nó na garganta. Às vezes apenas disfarçado por todas as sagradas distrações do mundo comum. Felizmente às vezes as distrações não eram suficientes. Um exemplo claro estava ali. O rádio baixo já não fazia mais diferença alguma. O que ela deveria fazer? Calar-se. Ou não. Cuidar mais daquele corpo ele parecia tão medíocre em comparação ao seu espírito, em seu espírito tão desnecessário em relação ao universo. O que poderia significar um corpo. Para abrigar seu espírito. Enquanto as estralas brilhassem. Ela pediria para alguém. Desligar sua tomada. Mas não adiantaria. Ela pensou em fumar um cigarro, e tomar um copo de vinho. Reforçaria seu pequeno êxtase individual... O quarto que antes estava meio abafado, agora estava mais confortável com o final da tarde. O sol havia se posto. E o vento começava a soprar os galhos secos que ficavam perto de sua janela. Isso pareceu trazer oxigênio à sua alma. Adormecer... Despertar... Adormecer, o ar está pesado. Dá pra senti-lo pressionando os ombros para baixo. Forte cheiro de amêndoas, incenso, canela... Agora. Já não é só o cheiro. Atmosfera amarelo, avermelhada. Torres de castelos feitas em tijolos de barro. Mesmo altas seus pisos estão a altura do olhar. Arvore seca. Grama curta. Formigas. Pássaros pretos riscam o céu. Contudo o sol não brilha. O coração bate num ritmo frenético e descompassado... Ela começa a chorar. Chorar da louca possibilidade do nada. Chorar da cruel inevitabilidade do tudo. Isso mesmo... O tudo... Ela é insignificante, o nada o tudo, ela perdera seus membros. Do que servem membros do que serve a mente, afinal. É tudo inevitável!... E, o que resta a ela? O consolo do presente. De repente ela para. À beira do abismo. O céu é cinza. Velho homem negro telepaticamente a chama... – Vê a infância... – Aos poucos tudo se acalma.
sexta-feira, 28 de março de 2008
[subterfúgios da arte]
São Paulo 20 de janeiro de 2007.
O centro velho é uma anti-aventura desesperadora, cheia de charme, elegância e duende. O caos da vida fudida. Mas acima de tudo: vivida. Lugar frio e... mesmo assim; quente.
Lar de Madame Arlete [gosto de chamá-la assim] é uma interessante figura que oscila entre o hippie e o pós-moderno. Costuma me chamar de Pablito. Ela é proprietária de um fantástico sebo/antiquário. Tenho o hábito de visitá-la às vezes e degustar em sua companhia um de seus licores. Da ultima vez levei para ela uma garrafa de pisco que meu tio Perez trouxe do Peru.
– Salve, salve Madame Arlete, como vai essa delícia balzaquiana de ventre moreno?
– Olá Hermano Pablito... o que será hoje... vodka ou sexo selvagem?
– Pisco – ergui a garrafa.
– Oh... louvados sejam os deuses pagãos! Entre criança.
A acompanhei até uma mesa de centro cercada por duas cadeiras. O antiquário estava mais repleto que nunca. Me sentei e servi licor para nós dois, quando vi no chão e apoiado na parede o objeto que me despertou.
– Que foi? Viu um gnomo? – disse Arlete.
– É uma reprodução de “Ao Sair do Banho” de Edgar Degas.
– Ah. Sim é. Caso queira pode levar. Para mim, apenas a Art-Nouveau tem valor.
Após me servir de mais um pouco de pisco deixei com ela a garrafa e levei o Degas para o meu apartamento. Quem assinava a reprodução era um tal N. Santos. Pendurei a tela na parede do quarto em frente a cama.
A tarde estava quente, me sentei na beirada da cama e tirei a camisa. Fiquei por não sei quanto tempo observando o quadro. Senti fome, tomei um banho, troquei de roupa e sai.
[subterfúgios aromáticos]
Estava encostado no balcão enquanto o chapeiro terminava de fazer as panquecas. Eu pretendia come-las ali mesmo. Cheiro bom no ar. Cítrico. Não percebi quando Akemi encostou do meu lado.
– Fugindo das antigas amizades Santana?
– Oh... jamais. Inclusive eu estava pensando em você hoje.
– Ah é! E a que circunstância especial se deve a honra?
– Ha saída do banho, ora...
– Cafajeste!
– Isto não é uma critica? Ou é? Por que se você não entende eu posso explicar...
– A sim... você me leva pro seu apartamento, me come e está explicado né?
– Calma paixão relaxa... está vendo no que dá ser esta mulher abismo... sempre derruba os outros e é divertido, mas se não prestar atenção você mesma pode cair...vem comigo... prometo que não te toco, e você sabe que é verdade – concordou com a cabeça – hei amigo, pode embrulhar a comida pra viajem.
– Ah quer saber... você esta certo. Vamos. Mas nem pense em perguntar o que me estremeceu. Ok.
Hoje minha sala estava um pouco mais quente que nos outros dias da semana. Fomos entrando Akemi tirou o casaco que já estava sufocando-a um pouco e sentou-se na única poltrona da sala. Gostei de sua atitude. Fui para a cozinha pegar dois pratos talheres e duas cervejas. Quando voltei a vi perdida em pensamentos. Despertei novamente sua atenção com um disco que coloquei: Billie Holiday – alive. Comemos. Ficamos sentados conversando sobre nossas sagradas casualidades e bebendo. Creio com mais convicção em deuses que sabem beber e dançar. Nos deixamos levar pelos devaneios até esquecermos do tempo.
[subterfúgios vermelhos]
Quando despertei, já nem imaginava que horas eram, e nem me interessei a olhar. Eu estava deitado de bermuda na cama. Akemi estava meio deitada por cima de mim, abraçada ao meu corpo. Antes que ela percebesse que eu havia acordado, procurei me lembrar do que acontecera. Comida, cerveja, vinho, cigarros, incenso... amor. De uma noite, infernizante.
– Bem vindo ao mundo querido...
– ...
– Sinto-me tentada a exclamar: que vida!
– Pois é, eu que o diga...
– Para onde vamos?
– Não sei. Só sei onde estamos.
Peguei a luminária que ficava encima do criado e apontei a fraca luz avermelhada para a tela na parede. Ela seguiu a luz com os olhos. Em silêncio. As vezes penso que tudo que é bom deve ser feito em silêncio... alarde para quê? Apoiei a luminária na cama logo abaixo dos meus pés. E mais uma vez a abracei. Ela ficou curiosa com um vulto novo na parede, pegou a luminária e apontou para o Degas na parede.
– Qual o significado – me perguntou.
– É simplesmente: você, eu e tudo mais que quisermos que seja. É uma imagem linda não? Alias não só linda. É difícil encontrar adjetivos, acho que pro isso a coloquei aqui...
– Não ela colocou você ai. Você não a controla. Disse que eu sou ela e, quer saber... concordo que seja.
– ...
– Infernal.
– Todos os vapores do paraíso. Agora entende o que eu te falei daquela vez: o céu e o inferno são aqui – coloquei minha mão em seu peito e aproximei o meu corpo dela, para que os corações batessem juntos. Ela amoleceu.
– Oh. Por que deus permite que coisas morram – ela perguntou. Não foi retórica.
– Todos os vapores do paraíso: o céu e o inferno são aqui....
O centro velho é uma anti-aventura desesperadora, cheia de charme, elegância e duende. O caos da vida fudida. Mas acima de tudo: vivida. Lugar frio e... mesmo assim; quente.
Lar de Madame Arlete [gosto de chamá-la assim] é uma interessante figura que oscila entre o hippie e o pós-moderno. Costuma me chamar de Pablito. Ela é proprietária de um fantástico sebo/antiquário. Tenho o hábito de visitá-la às vezes e degustar em sua companhia um de seus licores. Da ultima vez levei para ela uma garrafa de pisco que meu tio Perez trouxe do Peru.
– Salve, salve Madame Arlete, como vai essa delícia balzaquiana de ventre moreno?
– Olá Hermano Pablito... o que será hoje... vodka ou sexo selvagem?
– Pisco – ergui a garrafa.
– Oh... louvados sejam os deuses pagãos! Entre criança.
A acompanhei até uma mesa de centro cercada por duas cadeiras. O antiquário estava mais repleto que nunca. Me sentei e servi licor para nós dois, quando vi no chão e apoiado na parede o objeto que me despertou.
– Que foi? Viu um gnomo? – disse Arlete.
– É uma reprodução de “Ao Sair do Banho” de Edgar Degas.
– Ah. Sim é. Caso queira pode levar. Para mim, apenas a Art-Nouveau tem valor.
Após me servir de mais um pouco de pisco deixei com ela a garrafa e levei o Degas para o meu apartamento. Quem assinava a reprodução era um tal N. Santos. Pendurei a tela na parede do quarto em frente a cama.
A tarde estava quente, me sentei na beirada da cama e tirei a camisa. Fiquei por não sei quanto tempo observando o quadro. Senti fome, tomei um banho, troquei de roupa e sai.
[subterfúgios aromáticos]
Estava encostado no balcão enquanto o chapeiro terminava de fazer as panquecas. Eu pretendia come-las ali mesmo. Cheiro bom no ar. Cítrico. Não percebi quando Akemi encostou do meu lado.
– Fugindo das antigas amizades Santana?
– Oh... jamais. Inclusive eu estava pensando em você hoje.
– Ah é! E a que circunstância especial se deve a honra?
– Ha saída do banho, ora...
– Cafajeste!
– Isto não é uma critica? Ou é? Por que se você não entende eu posso explicar...
– A sim... você me leva pro seu apartamento, me come e está explicado né?
– Calma paixão relaxa... está vendo no que dá ser esta mulher abismo... sempre derruba os outros e é divertido, mas se não prestar atenção você mesma pode cair...vem comigo... prometo que não te toco, e você sabe que é verdade – concordou com a cabeça – hei amigo, pode embrulhar a comida pra viajem.
– Ah quer saber... você esta certo. Vamos. Mas nem pense em perguntar o que me estremeceu. Ok.
Hoje minha sala estava um pouco mais quente que nos outros dias da semana. Fomos entrando Akemi tirou o casaco que já estava sufocando-a um pouco e sentou-se na única poltrona da sala. Gostei de sua atitude. Fui para a cozinha pegar dois pratos talheres e duas cervejas. Quando voltei a vi perdida em pensamentos. Despertei novamente sua atenção com um disco que coloquei: Billie Holiday – alive. Comemos. Ficamos sentados conversando sobre nossas sagradas casualidades e bebendo. Creio com mais convicção em deuses que sabem beber e dançar. Nos deixamos levar pelos devaneios até esquecermos do tempo.
[subterfúgios vermelhos]
Quando despertei, já nem imaginava que horas eram, e nem me interessei a olhar. Eu estava deitado de bermuda na cama. Akemi estava meio deitada por cima de mim, abraçada ao meu corpo. Antes que ela percebesse que eu havia acordado, procurei me lembrar do que acontecera. Comida, cerveja, vinho, cigarros, incenso... amor. De uma noite, infernizante.
– Bem vindo ao mundo querido...
– ...
– Sinto-me tentada a exclamar: que vida!
– Pois é, eu que o diga...
– Para onde vamos?
– Não sei. Só sei onde estamos.
Peguei a luminária que ficava encima do criado e apontei a fraca luz avermelhada para a tela na parede. Ela seguiu a luz com os olhos. Em silêncio. As vezes penso que tudo que é bom deve ser feito em silêncio... alarde para quê? Apoiei a luminária na cama logo abaixo dos meus pés. E mais uma vez a abracei. Ela ficou curiosa com um vulto novo na parede, pegou a luminária e apontou para o Degas na parede.
– Qual o significado – me perguntou.
– É simplesmente: você, eu e tudo mais que quisermos que seja. É uma imagem linda não? Alias não só linda. É difícil encontrar adjetivos, acho que pro isso a coloquei aqui...
– Não ela colocou você ai. Você não a controla. Disse que eu sou ela e, quer saber... concordo que seja.
– ...
– Infernal.
– Todos os vapores do paraíso. Agora entende o que eu te falei daquela vez: o céu e o inferno são aqui – coloquei minha mão em seu peito e aproximei o meu corpo dela, para que os corações batessem juntos. Ela amoleceu.
– Oh. Por que deus permite que coisas morram – ela perguntou. Não foi retórica.
– Todos os vapores do paraíso: o céu e o inferno são aqui....
quarta-feira, 26 de março de 2008
[suterfúgio após]
Mais que uma fuga um subterfúgio é algo que não podemos realmente afirmar...
Talvez amantes, talvez passeantes.
Mas somos sim... pessoas cansadas de tanta bobeira fútil.
Quero gozos entardecidos e mal explicados.
Algumas renuncias faremos, mas com certeza sem pudor de gente besta.
Sem mágoa fictícia de uma freira ferida.
Sem a bobagem de estarmos nas convenções.
Estaremos por aqui e por ali...
Milla Charm
Talvez amantes, talvez passeantes.
Mas somos sim... pessoas cansadas de tanta bobeira fútil.
Quero gozos entardecidos e mal explicados.
Algumas renuncias faremos, mas com certeza sem pudor de gente besta.
Sem mágoa fictícia de uma freira ferida.
Sem a bobagem de estarmos nas convenções.
Estaremos por aqui e por ali...
Milla Charm
terça-feira, 25 de março de 2008
[subterfúgio primário]
Senhoras e senhores, lhes apresentamos aqui, o manifesto sobre o qual destrincharemos nossos subterfúgios.
I. Somos certamente amigos – amantes – dependendo do ponto de vista. Sinceridade cardíaca a amigos e presenças indiscretas.
II. Viemos aqui marcar as paredes deste mundo enfermo – controvertido – com a fumaça perfumada que exala do candeeiro e nossas existências.
III. Profanar, perverter e amar.
IV. Somos o fogo que queima a lona do circo. Vemos o circo queimar. Queima, queima, queima... Saem correndo ao mundo, todas a incoerências que jazem ali, abraçam seus semelhantes covardes. Lambem seus rostos no calor da tarde e gozam no frio da noite. Por fim, quando se percebe: a sedução está consumada.
I. Somos certamente amigos – amantes – dependendo do ponto de vista. Sinceridade cardíaca a amigos e presenças indiscretas.
II. Viemos aqui marcar as paredes deste mundo enfermo – controvertido – com a fumaça perfumada que exala do candeeiro e nossas existências.
III. Profanar, perverter e amar.
IV. Somos o fogo que queima a lona do circo. Vemos o circo queimar. Queima, queima, queima... Saem correndo ao mundo, todas a incoerências que jazem ali, abraçam seus semelhantes covardes. Lambem seus rostos no calor da tarde e gozam no frio da noite. Por fim, quando se percebe: a sedução está consumada.
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