segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Fanfara

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"Taí, eu fiz tudo pra você gostar de mim.
Ai meu bem, não faz assim comigo não!
Você tem, você tem que me dar seu coração!"

...glock, glock, glock...

Orlando possuia uma Rural azul celeste e isso lhe rendia os mais interessantes e improváveis convites. Sexta-feira véspera de carnaval de 83 Zé Macedo e seu cunhado Juca bateram na porta de zinco do barraco. Levaram até ele um trabalho inaceitável que ele aceitou. E assim sendo, naquela tarde, carregaram a rural. Era sofá, geladeira, pano de chão, sacos pretos com conteúdo misterioso, caixas com LPs de Sara Jane e Amado Batista, sapateira, 13 quilos de alimentos perecíveis, e o diabo a quatro.

O destino era Praia Grande.

Finalmente após seis meses de distância, Zé Macedo iria rever Cileide que cuidava do ninho.

...glock, glock, glock...

A recepção entraria para história. Pytu com caranguejo à vontade. E entre um trago e outro, havia efusivos beijos de amor, mão na teta, mordida na nuca, apertão no pinto, tapa na bunda e mão na priquita. O palco até então, era a budega de seu Vicente, que temendo por seu património espulsará os quatro antes das 20:00 horas.

 ...glock, glock, glock...

Desceram pra praia. Nas incursões entre quiosques e o mar, perderam Juca. Porém como saldo positivo, ao chegar em casa perceberam que agora dispunham de um cachorro, duas garrafas de ParaTudo e uma marmita com frango.

Despencaram feito a realeza.

A palafita onde o futuro casal residiria carecia ainda de ajustes. As lâmpadas oscilavam, a torneira pingava, havia frestas e os maderites não chegavam ao telhado, o que punha em dúvida o quanto tal choupana oferecia em privaciade. Mas a questão é: e quem se importa?!

Naquela noite Orlando tentava encontrar o sono, estendido no chão da cozinha sobre a lona que ele tirara da rural... enquanto ria-se e ao mesmo tempo ficava cabreiro,  ao ouvir o som da gulosa interminável que Cileide aplicava caprichosamente em seu macho.

...glock, glock, glock...

Certamente ja passava da 00:00 hora. Orlando lembrava de sua mulher. Contas pra pagar. O diacho do menino que parecia estar virando baitola.

...glock, glock, glock...

Olhou o relógio, 01:47. E nada. Ouviu Cleide esbravejar: goza logo homi! termina nunca?

Pobrezinha pensou, o bicho com o cu cheio de cachaça...

...glock, glock, glock...

Pensou na salvação e na danação eterna, a hora do arrebatamento. A mãe que nâo via a 13 anos. O Chacrinha e a Terezinha.

...glock, glock, glock...

E perdido em  sonhos de libertação adormeceu.



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3 comentários:

nélio disse...

história roubada de um homem que certamente não a assumiria.

Ser em construção disse...

Goste da rural azul...
beijos

Renata disse...

Eitaaaaa